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Nombres

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Juego:

cierro los ojos,

imagino que el mundo no existe:

decido inventarlo.

Elijo escuchar el eco de las cosas.

Vislumbro las cosas, la gente, los paisajes,

la vida,

kuxtal.

Percibo los lazos que unen y tocan y abrazan a las cosas

y a las personas:

las cosas que quieren

las cosas que necesitan

las cosas que inventan;

lo que olvidan

lo que sueñan,

ñuma’na.

Miro la tierra,

yu,

dondo habito.

A la mujeres y a la tierra donde caminan,

a los hombres y las casas que erigen

las lenguas que hablamos

los colors de nuestro cuerpo

las voces de nuestras almas

nuestros frutos

tuutú

el silencio de nuestros pasos

y

pienso

quiénes somos,

lo que nombra nuestra palabra.

Paseo la mirada por el mundo

tiento, abrazo,

reconozco

reinvento:

palabra por palabra

diidxa’.

Las palabras se dan la mano y trazan y traman

entre ellas

espacios

nuevas palabras

que penetran en la piel

dan fuego,

k’áak’;

al alma.

Palabras sonido

palabras olor

palabras tacto

palabras mirada

palabras agua

wawé

palabras dolor

palabras sentido

palabras alegría

pakillistli,

palabras guía, madre, hija, padre,

palabras fiesta.

Jugar a inventar el mundo.

Caminar:

un paso, otro más. Y el viento que golpea y la mirada que observa, y el agua que cubre por un momento los ojos porque ha entrado el aire, ese afuera que es también adentro. Y el pensamiento que persigue la hoja que cae del árbol, la banqueta rasgada, la mano que se extiende, el olor que llega sorpresivamente. Y caminar, por el mundo, y detenerse, y pensar que éste puede ser grande o pequeño; estar suspendido en el espacio o guardado en el fondo de la almohada. Que podemos verlo de colores, en blanco y negro o simplemente no verlo; también soñarlo, cultivarlo, andarlo: porque ahí vivimos, amamos, porque en él también morimos y lloramos. Y retomar el paso, detenerse una vez más, y volver a tejer las palabras con la liviandad del pie que renuncia al suelo: y el mundo es entonces, también pájaro, brillo, flor que germina, lluvia, granizo, golpe, abrazo, costra, y cosquilla. Eso que se calienta y se enfría, que está en las manos de la abuela, en los brazos de los padres, en el ladrido del perro. Y correr, con los pies simultáneamente suspendidos, con las ganas de llegar a ninguna parte. Y entonces el mundo es la palabra, el paso, el proyecto, la conquista y la derrota; es esa tinaja, esa figura de barro. Y también es el silencio. Porque el mundo es lo que decimos, y es tú, y es yo, y es nosotros: es norte y es sur, es wawé, y bej, ja’al xokotl, ñuu, haamiko, y ruyaa. Y detenerse por última vez, tocar papelito hecho bola que perdimos en el bolsillo y continuar.”

 

Fuentes Silva, Andrea, and Alejandro Cruz Atienza. Palabras Para Nombrar Al Mundo. Trans. Miriam Uitz May, Hermenegildo F. Lopez Castro, Demian Marin, Ana Paula Pintado, Felipa Perez Lopez, Julio Ramirez De La Curz, and Yasbil Mendoza. Mexico City: La Caja De Cerillos, 2013. Print.

Quién es quién

Una biografía común y corriente dará todos los datos:
el padre le pegaba, y se escapó de casa;
tuvo peleas en su juventud, y actos
que lo convirtieron en el hombre más grande de sus días;
luchó, pescó, cazó, trabajó la noche entera;
aunque agotado, escaló nuevas montañas, y dio nombre a un océano.
Algunos estudiosos más recientes dicen, incluso,
que por amor derramó algunas lágrimas, igual que tú y yo.

Con todos sus honores, suspiraba por alguien
que, según los atónitos críticos, vivía en su casa,
alguien que hacía sus labores con esmero
y nada más, que silbaba, se sentaba a descansar
o trabajaba en el jardín. Que contestó algunas
de sus largas y magníficas cartas, sin guardar ninguna.

 

W. H. Auden (York, 1907-Viena, 1973), W.H. Auden: Los primeros años, traducciones de Rolando Costa Picazo, Grupo Editor Latinoamericano, Buenos Aires, 1994

Who’s Who
A shilling life will give you all the facts:/ How Father beat him, how he ran away,/ What were the struggles of his youth, what acts/ Made him the greatest figure of his day;/ Of how he fought, fished, hunted, worked all night,/ Though giddy, climbed new mountains; named a sea;/ Some of the last researchers even write/ Love made him weep his pints like you and me.// With all his honours on, he sighed for one/ Who, say astonished critics, lived at home;/ Did little jobs about the house with skill/ And nothing else; could whistle; would sit still/ Or potter round the garden; answered some/ Of his long marvellous letters but kept none.

40

Desbautizar el mundo,
sacrificar el nombre de las cosas
para ganar su presencia.

El mundo es un llamado desnudo,
una voz y no un nombre,
una voz con su propio eco a cuestas.

Y la palabra del hombre es una parte de esa voz,
no una señal con el dedo,
ni un rótulo de archivo,
ni un perfil de diccionario,
ni una cédula de identidad sonora,
ni un banderín indicativo
de la topografía del abismo.

El oficio de la palabra,
más allá de la pequeña miseria
y la pequeña ternura de designar esto o aquello,
es un acto de amor: crear presencia.

El oficio de la palabra
es la posibilidad de que el mundo diga al mundo,
la posibilidad de que el mundo diga al hombre.

La palabra: ese cuerpo hacia todo.
La palabra: esos ojos abiertos.

TRANSCRIÇÃO DO “PORANDUBA”- Escuela Granada. Facilitadora Nicia Grillo. 2012. Río de Janeiro.

A Criação do Mundo na versão Tupi Guarani, contada por Kaká Werá Jecupé

No começo de tudo, quando não havia tempo ainda, havia Yamandu. Yamandu é “o silêncio que tudo ilumina”, é o ancestral de todos os ancestrais. Num determinado dia, dentro da própria luminosidade Yamandu, que é mais que qualquer sol, Yamandu quis conhecer a dimensão de si mesmo. Foi quando ele se encolheu, dentro do Grande Início, e recolheu dentro de si mesmo e viu que era vasto. Yamandu quis conhecer toda a dimensão de si, então se transformou numa coruja. Não essa coruja que nós vemos agora, mas a coruja primordial. E como coruja Yamandu se viu dentro da Grande Noite e viu que era vasto. Yamandu queria conhecer a sua altura, o seu comprimento, então se transformou num colibri: Mainu, na língua guarani. E como Mainu, o colibri, Yamandu conseguiu voar velozmente em todas as dimensões de si: voou acima, abaixo e ao centro. E viu que era vasto. Então Yamandu, o silêncio sagrado, luminoso, quis conhecer a totalidade de si, foi quando se recolheu dentro de si mesmo e se transformou num gavião real, Macauã. E com Macauã ele voou na mais longe das alturas e viu a totalidade de si. Então ele pensou: “Precisamos criar mundos”.
Foi então que ele cantou e do seu canto as estrelas começaram a nascer. E ele cantou, cantou e cantou, até quando num determinado momento ele disse:
– Os mundos todos estão criados.
Foi então que ele se recolheu dentro de si mesmo e se transformou num Grande Sol. E do ventre desse Grande Sol, Coaracy, é que nasceu Tupã. Tupã, nascido do próprio coração de Yamandu, começou a cantar ajudando Yamandu a criar os mundos.
Mas um dia Tupã sonhou com a nossa Mãe Terra. Foi quando ele criou do seu próprio pensamento um petenguá. Petenguá é um cachimbo sagrado. E através do petenguá ele soprou o espírito da futura Mãe Terra. E o espírito da futura Mãe Terra ficou viajando pelo espaço, se alongando, se transformou numa serpente luminosa e prateada. Até o momento em que ela escolheu um lugar e disse:
– É aqui.
E naquele lugar ela se enrodilhou e adormeceu. Ela se transformou numa tartaruga, um imenso jabuti.
Algum tempo depois Tupã foi seguindo o rastro do espírito da Terra que havia sido deixado pelo espaço, no grande céu, até chegar ao lugar onde havia escolhido para adormecer e sonhar. Tupã olhou e no casco da grande tartaruga desenhou as futuras montanhas, os futuros vales, os futuros rios, desenhou as futuras cachoeiras. E pensou:
“É preciso pôr alguém ali para continuar a Criação. Eu tenho muitas tarefas para fazer”.
Então Tupã, do seu próprio coração, criou o nosso primeiro ancestral, Nhanderovussu, o primeiro ser humano. Só que naquele tempo ele era alado. Nós o chamamos também de Avadiquaquá, “o primeiro adornado”. E quando Tupã disse: “Vai, vai continuar a criação lá na Terra”, nosso primeiro ancestral não sabia como andar na Terra, não sabia habitar na Terra. Foi então que ele retornou a Tupã e disse:
– Mas eu não sei viver na Terra.
E Tupã falou:
– Procure as quatro direções. Em cada direção você encontrará um “nhendejara”, um professor, um guia
E Tupã foi embora.
Nhanderovussu, nosso primeiro ancestral, então voltou à Terra e foi em direção ao Sul.
E no Sul ele viu uma palmeira azul, Endovidju. Nhanderovussu, nosso primeiro ancestral, foi até a palmeira azul e disse:
– Ei , você! Você pode me ensinar alguma coisa sobre viver aqui na Terra?
Endovi disse:
– É claro que eu posso, entra em mim e você vai aprender a viver na Terra.
Então Nhanderovussu entrou na palmeira e se tornou a própria palmeira.
Foi quando sentiu pela primeira vez, através das raízes, o que era estar na Terra. E viu que era muito bom. E foi ficando, foi ficando, foi ficando…
Até que um dia Endovidju disse:
– Você já aprendeu muito comigo. Pode ir embora.
Nhanderovussu, nosso primeiro ancestral, saiu da palmeira e foi em direção ao Norte. E no Norte encontrou uma rocha. Ele olhou para Rocha e disse:
– Você pode me ensinar alguma coisa sobre viver aqui na Terra?
A rocha disse:
– Claro. Entra em mim que você vai aprender.
Então Nhanderovussu entrou na rocha e se tornou a própria rocha. E ficou meditando, olhando os poentes e os nascentes. Muito, muito, muito tempo depois a rocha disse:
– Você já aprendeu comigo o que tinha que aprender. Pode continuar a sua jornada. Sai.
Nhanderovussu saiu. E foi em direção ao oeste. Foi quando ele encontrou a primeira onça ancestral, Yauaretê. Ele disse pra ela:
– Você pode me ensinar alguma coisa sobre viver aqui na Terra?
Ela disse:
– Claro. Entra em mim.
Foi quando pela primeira vez Nhanderovussu sentiu o cheiro da Terra, olhou a Terra com os olhos de onça, pisou na Terra com quatro patas. Andou, depois correu. E viu que era muito bom estar aqui na Terra. Então Yauaretê, a onça ancestral, disse:
– Pronto, você já aprendeu comigo, agora sai.
E deixou Nhanderovussu no pé de uma montanha, ao leste. Nhanderovussu olhou para o alto da montanha e viu que ali tinha uma gruta, bem no alto, e dessa gruta saía uma luz que lhe chamou a atenção. E ele subiu …
Quando chegou no interior da gruta ele viu que essa luz saía de uma serpente prateada, que estava sentada, enrolada no chão, e o mirava silenciosamente. Nhanderovussu perguntou:
– Quem é você?
Ela disse:
– Eu sou o Espírito da Terra.
– Ah! Então você pode me ensinar alguma coisa sobre viver aqui.
– Mas é claro que eu posso.
– Então me mostre.
Então o Espírito da Terra foi recolhendo do próprio chão a poeira e o barro, e foi formando um assento: os dois pés … foi formando um tronco, um corpo, uma cabeça, todo de barro. Colocou dois cristais no alto da cabeça, umedeceu com as gotas que caíam do alto da caverna e disse para Nhanderovussu:
– Entra aqui que você vai aprender sobre a Terra.
Nhanderovussu entrou naquele corpo de barro, naquele assento, e foi a primeira vez que ele conseguiu andar sob dois pés. Ele saiu em direção à entrada da gruta porque o sol brilhava lá fora e ele viu pela primeira vez, com os olhos de cristal, todo o horizonte, e disse:
– Isso é muito bonito. Isso é muito bonito.
Foi então que Nhanderovussu percebeu que a Terra era maravilhosa e seu coração entoou um canto.
A mãe Terra, que nós chamamos de Nhandessi, disse para ele:
– Eu preciso te falar algumas coisas. Você tem o poder que vem da própria Terra, a qual você está portando. Você também tem o poder das águas, você tem o poder das pedras e tem o poder das plantas. Presta atenção nisso. Esse é um presente que eu te dou, quando eu teci esse assento que você porta. Agora você também tem um poder maior, você tem o poder de Tupã. Preste atenção em cada palavra. Tudo que sair da sua boca é um espírito vivo.
Nhanderovussu agradeceu os ensinamentos da Mãe Terra e ficou pensando em tudo aquilo enquanto caminhava olhando toda a criação que Tupã havia deixado: as montanhas, o céu, o chão. Então de repente ele olhou para o céu azul e disse:
– Arara!
E da palavra “arara” nasceu a primeira arara, o primeiro pássaro azul. Ele ficou espantado e disse.
– Nossa! Araraí!
E nasceu uma arara pequena.
– Arararuna!
E nasceu a arara vermelha.
E começou a falar coisas que lhe vinham na cabeça:
– Tucano! Mainu! Mainuí! Araponga!
Da sua boca nasceram muitos pássaros. E os pássaros nasciam e voavam. E ele continuou andando e experienciando aquela sensação. Ele olhou então para o rio e disse:
– Pirarucu!
E nasceu o primeiro peixe.
– Tambaqui!
E outro peixe nascia.
E foi falando muitos nomes que viraram peixes. Muitos e muitos nomes. Ele olhou para o chão e falou:
– Djacaré!
E ele olhou para o lado e disse:
– Panambi!
Nasceu a primeira borboleta.
E ele foi cantando nomes:
– Paca! Tatu! Cotia …
(A cotia não. A cotia veio muito tempo depois.)
E ele foi cantando, cantando, cantando nomes. Até o dia que ele olhou para os lados e viu que estavam todos os seres criados: os seres das águas, os seres do céu, os seres da terra.
Ele voltou até aquela gruta e encontrou novamente com o espírito da Terra e disse:
– Nanhandessi – que é “a Sagrada Mãe” – eu vim te devolver o corpo que você me emprestou, porque eu aprendi a viver na Terra e porque eu aprendi a criar na Terra.
A mãe Terra disse:
– Não precisa me devolver, fica contigo. É seu para sempre.
Nhanderovussu falou:
– Não! Mas eu devolvi para a palmeira quando a palmeira me ensinou. Eu devolvi para a rocha quando a rocha me ensinou. Eu devolvi para a onça quando a onça me ensinou.
Nhandessi, a nossa mãe Terra, falou:
– Não, não precisa me devolver.
Precisa, não precisa … Até que a mãe Terra disse:
– Olha, faz o seguinte: anda mais um pouco pelo mundo, vive mais um pouco a sua experiência nesse chão, depois quando você realmente cansar você não precisa mais vir até mim; abre um espaço em qualquer lugar e entregue esse manto que eu te dei.
Então assim foi feito. Nhanderovussu desceu e continuou a cantar. Cantou durante muito tempo, cantou muitas coisas. Muitas vidas nasceram. E as vidas que foram nascendo foram fazendo amizade umas com as outras e também com Nhanderovussu. Até um dia em que ele disse:
– Agora eu me vou.
Abriu um espaço numa clareira na floresta, entregou o manto que a mãe Terra havia lhe dado nesse espaço e ficou somente o seu espírito. E voou e se transformou no Sol. Esse Sol que nós vemos hoje é Nhanderovussu, nosso primeiro ancestral.

…………

La creación del mundo.

En el comienzo de todo, cuando no había ni tiempo todavía, estaba Yamandú.
Yamandú es el silencio que todo lo ilumina, es el ancestro de todos los ancestros.
Un día dentro de su propia luminosidad Yamandú, que es más que cualquier sol, quiso conocer la dimensión de sí mismo. Fue cuando se encogió dentro del gran inicio y recorrió dentro de sí mismo y vio que era vasto.
Yamandú quiso conocer toda dimensión de sí entonces se transformó en una lechuza. No esa lechuza que nosotros vemos ahora, una lechuza primordial. Y como una lechuza Yamandú se vio dentro de la gran noche y vio que era vasto. Yamandú quiso conocer su altura, y su largo entonces se transformó en un colibrí. Mainu en lengua guaraní. Y como colibrí Yamandú consiguió volar velozmente en todas las dimensiones de sí: voló encima, voló abajo y al centro de sí. Y vio que era vasto.
Entonces Yamandú, que es el silencio sagrado, luminoso, quiso conocer la totalidad de sí, fue cuando se recogió dentro de sí mismo y se transformó en gavilán. Macaua. Y como Macaua voló a lo más lejos de las alturas y vio la totalidad de sí. Entonces pensó: Precisamos crear mundos.
Fue entonces que él cantó y de su canto las estrellas comenzaron a nacer. Y el cantó, cantó y cantó, hasta que en un determinado momento él dijo: Los mundos están todos creados.
Fue entonces que él se reconoció dentro de sí mismo y se transformó en un Sol Grande. Y en el vientre de ese Sol Grande, Coracy, del que nació Tupa. Tupa, nacido del propio corazón de Yamandú, comenzó a cantar ayudando a Yamandú a crear el universo.

Un día Tupa soñó con nuestra Madre Tierra. Fue cuando él creó de su propio pensamiento un petenguá. Petenguá es una pipa sagrada. Y a través de la petenguá sopló el espíritu de la futura Madre Tierra. Y el espíritu de la futura madre Tierra se quedó viajando por el espacio. Alargándose se transformó en una serpiente luminosa y plateada. Hasta el momento en que ella escogió un lugar y dijo:
-Es aquí.
En aquel lugar ella se enrolló adormeciéndose.
Ella se transformó en una Tortuga, una inmensa tortuga.
Un tiempo después Tupa fue siguiendo el rastro del espíritu de la Tierra que había dejado por el espacio, en el gran cielo, hasta llegar al lugar que había escogido para adormecer y soñar. Tupa vio en el caparazón de la tortuga los dibujos de las futuras montañas, los futuros valles, los futuros ríos, los dibujos de las futuras cascadas. Y pensó:
Es preciso alguien para continuar la creación. Yo tengo muchas tareas que hacer.
Entonces Tupa de su propio corazón, creo nuestro primer ancestro. Nhanderovussu, el primer ser humano. Sólo que en aquel tiempo él era alado. Avadiquaquá, “el primer adornado”
Y cuándo Tupa dijo “ Vas a continuar la creación en la Tierra” nuestro primer ancestro no sabía como andar en la Tierra, no sabía habitar en la Tierra..
Fue entonces que el retornó a Tupa y dijo:
-Pero yo no se vivir en la Tierra.
Y Tupa dijo:
-Viaja en las cuatro direcciones. En cada dirección encontrarás un Nhendejara, un maestro, un guía.
Nhanderovossu, nuestro primer ancestro, volvió a la Tierra y fue en dirección al Sur.

En el Sur vio una Palmera azul, Endovidju.
Nhanderovussu, nuestro primer ancestro, fue hasta la Palmera azul y le dijo.:
-Ey vos! Podés enseñarme alguna cosa sobre vivir acá en la Tierra?
Endovi dijo:
-Y claro que puedo! Entra en mí y vas a aprender a vivir acá en la Tierra.
Entonces Nhanderovussu entró en la palmera y se tornó él mismo Palmera.
Fue cuando sintió por primera vez, a través de las raíces, lo que era estar en la Tierra. Y vio que era muy bueno.
Y se fue quedando, quedando, quedando.
Hasta que un día Endovi dijo:
-Vos ya aprendiste mucho conmigo. Podés irte.
Nhanderovussu, nuestro primer ancestro, salió de la Palmera y fue en dirección al Norte.
En el Norte encontró una Piedra. Él la miró y dijo:
-Vos me podés enseñar una alguna cosa sobre vivir acá en la tierra?
La Piedra dijo:
-Claro, entra en mí que vas a aprender.
Entonces Nhanderovussu entró en la Piedra y se tornó una propia piedra. Se quedó meditando, mirando las ponientes y las nacientes, Mucho tiempo después la Piedra dijo:
-Vos ya aprendiste conmigo lo que tenías que aprender. Podés continuar con tu vida, andá…
Nhanderovussu salió y fue en dirección al oeste. Fue cuando encontró el primer Jaguar y le dijo:
-Vos me podés enseñar alguna cosa sobre vivir acá en la tierra?
Y el Jaguar le dijo..
-Claro, entra en mí.
Fue cuando por primera vez Nhanderovussu sintió el olor de la Tierra, miró la Tierra con los ojos del jaguar, pisó la Tierra con las cuatro patas. Camino, después corrió. Y vio que era muy bueno estar acá en la Tierra. Entonces el Jaguar ancestral, dijo:
-Bueno, vos ya aprendiste conmigo, ahora salí.
Y dejó a Nhanderovussu al pie de una montaña al Este. Nhanderovussu miró para lo alto de la montaña y vio que había una gruta, y de esa gruta salió una luz que le llamó la atención. Y él subió.
Cuando llegó en el interior de la gruta él vió que esa luz salía de una serpiente plateada, que estaba sentada, enrollada en el suelo y lo miraba silenciosamente.
Nhanderovussu le preguntó:
-Quién sos vos?
Ella dijo:
-Yo soy el espíritu de la Tierra.
-Ah entonces me podés enseñar sobre cómo es vivir acá.
-Claro que puedo!
Entonces el espíritu de la tierra fue recogiendo del mismo suelo el polvo y el barro, y fue formando un asiento, los dos pies, fue formando un tronco, un cuerpo, una cabeza, todo de barro.
Colocó dos cristales en lo alto de la cabeza, los humedeció con las gotas que caían de arriba de la caverna y dijo para Nhanderovussu
-Entrá aquí que vos vas a aprender sobre la tierra.
Nhanderovussu entró en aquel cuerpo de barro, en aquel asiento de barro y fue por primera vez que el consiguió andar sobre sus dos pies. Él salió en dirección a la entrada de la gruta porque el sol brillaba allá afuera y vio por primera vez, con los ojos de cristal, todo el horizonte y dijo:
-Esto es muy hermoso, esto es muy hermoso
Fue entonces cuando sintió la belleza de la tierra en su corazón..entonces cantó!
Y la madre Tierra dijo para él:
-Es preciso hablarte de algunas cosas. Vos tenés el poder que viene de la propia Tierra, porque la llevás con vos a dónde vayas. Vos también tenés el poder de las aguas. Vos también tenés el poder de las piedras y el de las plantas. Prestá atención en eso. Este es un presente que yo te dí, cuando moldee el asiento que vos llevás. Pero ahora tenés un poder mayor, vos tenés el poder de Tupa. Prestá atención en cada palabra: Todo lo que sale de tu boca es un espíritu vivo.

Nhanderovussu agradeció las enseñanzas de la Madre Tierra y se quedó pensando en todo aquello mientras caminaba mirando toda la creación que Tupa había dejado: el suelo, las montañas, el cielo. Entonces de repente el miró para el azul del cielo y dijo:
-Arara! (Guacamayo)
Y de la palabra “arara” nació el primer guacamayo, el primer pájaro azul. él se quedó espantado y dijo:
-Ayyy noo, Araraí!
Y nació un guacamayo pequeño.
Y comenzó a decir cosas que se le veían a la cabeza:
-Túcan! Colibrí! ….
De su boca nacieron muchos pájaros. Y los pájaros nacían y volaban. Y él continuó anadando y experimentando aquella sensación. Él miró entonces para el río y dijo:
-Piraracu
Y nació el primer pez.
-Tambaquí.
Y otro pez nacía.
Y fue diciendo muchos nombres que se transformaban en peces. Muchos y muchos nombres. él miró para el suelo y dijo:
-Yacaré!
Y el miró para el otro lado y dijo:
-Panambí!
Nació así la primera mariposa.
Él fue cantando nombres:
-Paca! Tatu! (armadillo)
Él fue cantando, cantando, cantando nombres. Hasta que un día que él miró para los dos lados y le pareció que estaban todos los seres creados: los seres de las aguas, los seres del cielo, los seres de la tierra

Él volvió hasta aquella gruta y se encontró nuevamente con el espíritu de la Tierra y dijo:
-Sagrada Madre, te vine a devolver el cuerpo que vos me prestaste, porque ya aprendí a vivir y a crear en la Tierra
Y la Madre dijo:
-No precisas devolvérmelo, tenelo con vos. Es tuyo para siempre.
Nhanderovussu dijo:
-No. Si yo se lo devolví a la Palmera cuando la Palmera me enseñó. Yo se lo devolví a la Piedra cuando la Piedra me enseñó. Yo devolví al Jaguar cuando el Jaguar me enseñó.
-No, precisa.
Preciso, no precisa…Hasta que la Tierra habló:
-Mirá hacé lo siguiente: andá un poco mas por el mundo, viví un poco más tu experiencia en este suelo, después cuando vos realmente te canses no precisás venir a verme a mí, abre un espacio en cualquier lugar y entrega ese manto que yo te di.

Entonces así fue hecho. Nhanderovussu continuó cantando. Cantó durante mucho tiempo, cantó muchas cosas. muchas vidas nacieron. Y de las vidas que nacieron fueron haciendo amistades unas con otras.

Hasta que un día el dijo -Ahora yo me voy.

Abrió un espacio en el claro del monte, entregó el manto que la Madre le había dado en ese espacio se quedó solamente su espíritu . Y voló y se transformó en Sol. Ese Sol que nosotros vemos hoy es Nhanderovussu, nuestro primer ancestro, nuestro abuelo.

 

Final

La poesía no es un pájaro.
Y es.
No es un pulmón, el aire, mi camisa,
no, nada de eso. Y todo eso.
Sí.
He roto un violín contra el crepúsculo
para ver qué pasaba,
me fui a la piedra y pregunté qué pasa.
Pero no. Pero no.
Aún no.
¿Me olvidé acaso del pañuelo aquel
donde gira en silencio un vals antiguo?
No lo olvidé, miradme la mejilla
y os daréis cuenta, no, no lo olvidé.
¿Me olvidé del caballo de madera?
Tocadme el niño y me diréis que no.
¿Y entonces, qué?
La poesía es una manera de vivir.
Mira a la gente que hay a tu costado.
¿Ama? ¿Sufre? ¿Canta? ¿Llora?
Ayúdala a luchar por sus manos, sus ojos, su boca,
por el beso para besar y el beso para regalar,
por su mesa, su cama, su pan, su letra a y su letra h,
por su pasado -¿acaso no fueron niños?-
por su porvenir – ¿acaso no serán niños?-
por su presente, por el trozo de paz, de historia
y de dicha que le toca
por el pedazo de amor grande, chico, triste, alegre,
que le toca, por todo lo que le toca y se le arrebata
en nombre de qué, de qué?
Tu vida entonces será un río innumerable que se llamará
pedro, juan, ana, maría, pájaro, pulmón, el aire, mi camisa,
violín, crepúsculo, piedra, pañuelo aquél, vals antiguo,
caballo de madera.
La poesía es esto.
Y luego escríbelo.

En El amor ha crecido.

Orillas

Afuera ladra un perro

a una sombra, a su eco
o a la luna
para hacer menos cruel la distancia.

Siempre es para huir que cerramos
una puerta,
es desierto la desnudez que no es promesa

la lejanía
de estar cerca sin tocarse
como bordes de la misma herida.

Adentro no cabe adentro,

no son mis ojos
los que pueden mirarme a los ojos,
son siempre los labios de otro
los que me anuncian mi nombre.